quinta-feira, 14 de maio de 2009

Morte no centro de São Paulo, por Lais Mouriê.


Quando a morte chegou, encontrou-a nervosa e indignada por infantilidades provocantes. Mas a morte, essa donzela esparsa e mordaz, encheu-a de sorrisos e liberdades, ao se instaurar. Ela dava pulos pelos andares da galeria, enquanto sentia-se inundada de morte desvelada. Ela flutuava sobre as cordas ronquenrou de guitarras imaginárias e agulhas sujas de tintas multicoloridas, para que a morte pudesse colorir peles mortas e tímpanos surdos. A morte, faceira, entre goles de cerveja, cigarros doados e cantadas filosofeiras. Sim, a vivíssima morte alegrando o centro de São Paulo em tarde de sol. E ela, que não queria a morte, viu-se leve e viva; coração pulsando ritmado; pele corada por inebriantes arrepios de amor. A morte trouxe o seu amor para dentro, ao matar seu amor de fora.

Um comentário:

Luiz Alberto Machado disse...

Nossa!! Tudo maravilhoso por aqui, adorei. Vou indicá-las nas minhas páginas, aguardem.
Beijabrações & tataritaritatá!!!!
www.luizalbertomachodo.com.br