terça-feira, 19 de maio de 2009

Perdidamente, por Samantha Abreu

foto de Nicola Ranaldi
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De que me adianta gritar nesse buraco de lama [fôlego] Derrama minha dor Cama quente vazia [fôlego] Ausente é você da minha loucura cretina e prostituta vendida [fôlego] por pequenos gestos tão frágeis mutáveis e efêmeros sentimentos transbordados de febre de calor e de abandono [fôlego] feito meu cão solitário lambendo-me os pés cansados descalços doloridos [fôlego] de tanto correr quando você se vai e me deixa sozinha em sandice me confunde [fôlego] Não quero não quero e desespero não sei se saio se caio se maio ou dezembro não lembro a última vez era a ultima vez [fôlego] e se repete todas as vezes que você se aproxima feito ladrão furacão solidão na madrugada [fôlego] inesperada surpresa de domingo [fôlego] Quando se fortalece não estás aqui de novo e de novo eu sem direção [fôlego] à mercê da sua vontade sua falta de coragem caráter e maldade [fôlego] Amor espeto me fura mortal tão profundo que dói infinito [fôlego] Eterno tormento quando você fica [fôlego] eterno lamento quando você vai [fôlego] e eu sozinha nesse desequilíbrio um labirinto tão longo e escuro [fôlego] Mil ilusões construídas com suas mãos quando derrubadas por elas foram os castelos dessa areia tão suja [fôlego] me lambuza de suor explodindo os poros e choro [fôlego] Não posso mais enxugar essa poça [fôlego] Seu corpo caiu no buraco onde estou me acertou na sensatez e novamente acredito na tua boca me falando amores bandidos jamais reprimidos jamais resistidos [fôlego] Teu corpo caiu do tiro ao alto desse buraco onde estou [último fôlego] Aqui acabamos meu bem e a luz não entrou não.

3 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Você é o meu Plíno Marcos de saia - ah, e sem barriguinha (sem outros petrechos também), Samantha.

Excelente texto.

- Henrique Pimenta

Alex Franco disse...

[fôlego]...

pimi disse...

... tu me lembra Caio Fernando Abreu... básico guria