quinta-feira, 18 de junho de 2009

1 2, por Lais Mouriê


Doze era um número cabalístico para ela. Todas as coisas boas (e também não tão boas assim) estavam intrincadas a esse número duplo e singular. 1 e 2, única e dupla, solitária e acompanhada. Aos doze anos menstruou. Não tinha corpo de mocinha, mas tinha doze pintas espalhadas pelo peito. Ao meio dia de uma segunda qualquer, deu seu primeiro beijo.Era dia doze de abril quando o conheceu. Doze vezes se encontraram até que ele sumisse, para os arredores alcoólicos do mundo (levava doze garrafas de rum). Comprou um apartamento aos 21 anos. Parcelou de 12 vezes. Foi pra lá que levou seus doze casos sem solução. Chorou doze vezes por cada um deles. Mas, como tudo na vida passa, para ela, passaram-se 12 estações de metrô até que ela o reencontrasse abraçado a uma vagabunda. Naquele momento, ela decidiu-se ser duas em uma. Anda sozinha desde então, acompanhada por doze estrelas cadentes.

3 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

bem-humorado ainda que tristinho.

aos 12 anos eu fui feliz, e ponto.

nenhum período da minha vida antes ou depois foi tão intenso, alegre, rico em descobertas, e pleno de vida do que os meus 12 anos de idade.

12 foi um número cabalístico para mim, mas mergulhou no passado...


=D
marcos

Patrícia Boudakian disse...

adorei. 12 bjs pra vc.

Ilana disse...

é encrivelmente encrível como alguns números regem nossa vida...o meu é o 6 e o 3.

Moro no bloco c, apartamento 03, meu rg acaba em 666, meu sobrenome são 3 nomes, com seis letras cada um...

Muito bom o texto. Parabéns