domingo, 14 de junho de 2009

Sobre esquecimento, por Juliana Hollanda

eu me esqueci de ti.

esqueci do amor que um dia me alimentou e me fez buscar em cada rosto, em cada pessoa anônima nos bares, nos teatros, nas livrarias, nos cinemas
- a ti -
e somente a ti.

esse amor que outrora se transmutou em ódio ferrenho e hoje não passa de descaso.
sim, eu te odiei e ao te odiar eu te amava ainda e mais do que antes.

odiava-te a ponto de insuflar de cólera meu peito com uma simples referência ao teu nome, com um fato qualquer que me remetesse ao que vivemos um dia lado a lado
-tu do teu lado-
e eu
tentando acompanhar-te
fazendo de mim algo
que não era
eu.

3 comentários:

Katrina disse...

uma vontade de esquecer, a minha agora

Thiago Quintella disse...

é utilizar a arte do desapego. Quando a coisa se torna tão intensa a ponto de deixarmos de ser o pensamos ser, o melhor é o descaso, pois o ódio só prejudica. Serve de aprendizado para viver outras coisas, semelhantes até, mas diferentes

Ilana disse...

PQP...perfeito!