sábado, 6 de junho de 2009

Verões, por Martha Galrão

Verões

O rapaz era bonito.
E forte,
e moreno.
Da cor de um marrom
combinando com o verde das folhas.

Iam juntos pra fazenda,
ele caminhando na frente,
valente e viril.
Meio bêbado,
beliscava suas coxas.

Casa de farinha,
curral,
casa do vaqueiro,
cavalos, cana de açúcar,
pele quente, ingá,
cana de açúcar
e o tempo a favor.

No planeta,
um céu bem azul e
seriguelas madurinhas
tiradas do pé.

O mundo girava tonto
e lento,
no ritmo da menina,
muito vento.

Ninguém sabe
onde foi parar o sumo
desses verões.

Martha Galrão

3 comentários:

Laurent Gabriel disse...

esse blog é um tesão!

José Calvino disse...

Ao ler "Verões", fui puxado para dentro de sua poesia. Tornei-me, à revelia da autora, embora Martha não me visse, eu estava ali percorrendo a Casa de farinha, curral, casa do vaqueiro... Como diz Clóvis Campelo no seu comentário: "...Um poema bem ao seu estilo. Ótimo!"
Parabéns, poetamiga.
Beijos do,
José Calvino
Recife

Kimangola disse...

...
querida Marta também pensar no passado é uma forma de negar o presente.

eu me preciso TODO hoje.

xaxuaxo