quarta-feira, 23 de setembro de 2009

3 da manhã, por Clara Arôxa

Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora,
caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns,
mas não enganaria a si e, portanto,
não preencheria esse oco.
Carta ao Zézim – Caio F.
.
.
Você vai me atirar todas essas palavras de ordem, as diversas impossibilidades, minha pequenez. Vai me dizer, com os olhos, absolutamente todas as minhas falhas, uma a uma. Vai brincar de esconde-esconde com meu medo e me desafiar, todo santo dia, a seguir tua cartilha tão bem desenhada e sem furos. Até chegar o dia de você entender que eu não levanto do chão e nem solto meu cigarro por aquilo que não for amor.

6 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

todo o mundo sabe que o cigarro mata lentamente, mas também ninguém tem pressa pra morrer.

se o fumante acende o cigarro, em um ato compensatório o cigarro apaga o fumante.

as "palavras de ordem" são contestadas com o motim, confirmando a Lei da Inércia Newtoniana.

agora, por que o Caio tá tão preocupado em preencher o "oco" do Zézim?


=D
marcos

NiNah disse...

Caramba, adorei!
Essa última frase me fez pensar tanta coisa.
Bjo

Jaya disse...

Até porque, dizem, quando é amor, todas essas promessas se vão. E a gente só sabe voar.

Três da manhã, e sempre.

Salve Jorge disse...

Ordem de palavras essas diversas, vai você atirar-me pequenez e minhas impossibilidades. Falhas, olhos, uma a uma, absolutamente, todas.. vai me dizer.. Furos a seguir.. todo dia santo, desafiar meu medo.. brincar.. tão bem desenhada.. esconde esconde sem cartilha.. meu. Não solto meu amor, meu chão, nem meu cigarro. Levanto do chão até chegar o dia.. por aquilo.

Sunflower disse...

Queria falar algo melhor que "belo texto, como sempre" mas depois dos comentários do Marco eu sempre perco a linha do pensamento.

beijas

C. Manoela disse...

pq qdo não é a gente logo percebe

:)