quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Delírios, por Clara Arôxa

Levando em frente um coração dependente

Viciado em amar errado

Crente que o que ele sente é sagrado...

E é tudo piada, tudo piada.


Entre uma tragada e outra de cigarro compartilhada, tentei te avisar que aquilo era um perigo. A música cubana, a cerveja e a tua Lua no céu ocuparam teus sentidos todos, deixando um quê de delícia na minha boca. Eu te avisei, ao segurar a tua mão, que o teu jeito desengonçado de ajeitar os óculos iria fazer parte das minhas manias, as tuas ideias revolucionárias chegariam a minha alma e fariam morada, eu te avisei. Meus olhos te mostraram a loucura instalada nos meus passos, nos meus abraços, nas flores no meu cabelo. Menino, eu gritei, competi com a madrugada e escrevi as tuas palavras doces feito tatuagens nas minhas folhas em branco, só para te avisar que eu estava ali a tua espera. Ousei tirar o coração do armário e te entregar entre um cigarro e outro, naquele bar chinfrim de Olinda. Ele ficou na minha mão batendo desesperado, tentando entender as minhas ordens sussurradas lá de cima, cheguei a te dizer, de longe. As letras confusas e bonitas já estavam se debatendo em busca de um novo poema, menino, coisa louca. Teu cheiro ia se confundindo ao meu, nossos risos se fundiam no que se dizia engraçado, você viu. Eu disse, menino, disse que a Lua é traiçoeira, que Olinda ama demais e que não é à toa o meu ad infinitum no quadril. Mesmo assim, mesmo te falando das cores, nas ladeiras, você sorria e ia me encantando, vírgula por vírgula. Você foi uma dose extra de loucura, um aviso que essa porra ainda bate e ainda é forte, sem controle. Eu te avisei do perigo, te avisei que ali era um abismo e só entrava aqueles que sentiam o impulso do voo nas entranhas. O problema é que você também sente, nós dois sentimos, aí você me tira de órbita, brinca com as minhas certezas, zomba da minha cara de mulher dona de si enquanto fico imersa nos teus segredos, por horas e horas. Senta aí, menino, enche esse copo e me ilumina com essa energia.

Olha, daqui a pouco a cerveja acaba e eu deixo todo esse sentimentalismo na mesa do bar, junto com a conta. Vou embora com todos os meus versos rasgados, meus delírios, as juras de amor que eu guardei para ti, na bolsa. Te darei um beijo, um abraço e um até amanhã, só para não perder o costume de me ver, por alguns segundos, acreditando que, por aqui por dentro, sua chegada é uma festa. Esquece tudo o que eu te disse, menino, já é tarde. Vamos para casa?

Eu te avisei, menino. Te avisei que seria assim.

13 comentários:

Lorita disse...

Tapa na pantera!

;)

Patrícia Lage disse...

A diferença é que 'nós' estamos longe de Olinda e, é claro, eu avisei coisa nenhuma.

Amei o texto!
Meus beijos.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Arôxa
arroxa,
acocha,
atocha
ad infinitum no quadril.


=D
marcos

Paulo Bono disse...

ela também disse que escrevia bem, menino?

Lívia Mendes disse...

Adorei!

Erica Maria disse...

Adoro os textos dessa Menina Clara...

Bjos querida!

Fernanda disse...

por essas e outras que eu te amo!
vou falar mais o que?!?
tu arrasa demais!

Sunflower disse...

eu não avisei que ela é das boas? há.

Muito bom, eu já sabia.


beijas!

jupyhollanda disse...

"daqui a pouco a cerveja acaba e eu deixo todo esse sentimentalismo na mesa do bar, junto com a conta..." - perfeição tem nome e é essa frase.

B-Ju

Camila disse...

lindo.

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