quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Outononeana, por Lais Mouriê

Henri Matisse

Há dias em que minha intensidade borra as paredes do quarto. Em dias como esses, em que é impreciso viver, o meu amar se transforma em morte. E o meu acordar é como o pestanejar de moscas azuis no escuro. E acordo escura como uma história de amor.


O meu amor morreu. E uma bruma desapareceu do céu da manhã. Foi doce. Foi acalanto. Meu morrer de amor nasceu em mim outra rosa bela. e amarela.


Minha brancura cheia de veias que pulsam insistentemente meu sangue desapaixonado estava mais branca. Usei um vestido florido, para que as pernas claras mostrassem seus roxos juvenis. Desamei o amor moreno e desarmei a arma que daria o tiro. pela culatra.


Foi doce e borrado meu desamor. E me amei outono ao entardecer.

Um comentário:

jupyhollanda disse...

que texto lindo, Lá.

tava com saudade d 'ôcê.

B-Ju