quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Poema sem imagem, por Lais Mouriê

Sinto tanta pena de ti, meu caro!
teu vazio que não completa as lacunas do teu coração.
tua defesa em não amar nem sequer a flor que perfuma teus dias.
teu jogo egóico tentando enganar-te das tuas fraquezas.
tamanha secura n´alma
tanta pobreza em tua realidade.

Sofro mais que ti, meu caro, mas o meu sofrimento é dançante.
a ferida que descasca em mim é amor.
a dor que pulula noites a fio é entrega.
a fragilidade, impostora aparente, é fortaleza.

Tenho pena desta malfada imagem indolor que és tu.

3 comentários:

Barraco Das Ideias disse...

deixa eu ser o homem do domingo

Marcos Satoru Kawanami disse...

Lais,

identificamo-nos com o sentimento do eu-lírico.

"o poeta só é grande se sofrer"
(Vinicius de Moraes)


mas tem de aprender a parar de sofrer um dia, se viver o bastante para tal.


paz e bem
Marcos e Luciane Cristina

Alessandro disse...

Um poeta há de sempre sofrer porque ele vê o mundo pelos olhos de quem sente.

AP
http://seekinthecause.blogspot.com/

(se quiserem dar uma vista de olhos no meu blog - escrevo poesia em inglês)