segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sinfonia do amor em três movimentos, por Juliana Hollanda


(I)
numa determinada esquina ele te confidenciou não saber o que é amor. ele assumiu o fato de nunca ter ficado em estado de apaixonamento.
já disseram para ele que é maravilhoso e fantástico e divino ... mas ele duvida, pois nunca teve esse tipo de experiência e assim, eu encontrei a maneira certa de explicar para ele – e também para mim mesma - o que é o amor, porque eu já ...
estive lá.

... já aconteceu comigo isso de amor. de amar.

aposto e tenho certeza que o amor, amor - é algo instantâneo. ele está lá ou não e, aparece tão rapidamente que às vezes a gente nem repara.
quando você conhece aquela pessoa especial e vocês não sabem nada um sobre o outro. nadica de nada - neca de pitibiribas mesmo e, ainda assim, com toda a racionalidade presente em suas veias - alguma coisa simplesmente acontece....

(suspiro. suspiro. suspiro)

vocês desejam passar horas e horas um com o outro. desejam ouvir o que o outro diz – é como uma música.
a voz do outro é música e vocês precisam ouvi-la ininterruptamente - mesmo que ele só fale bobagens e escatologia – que para você, são poemas e saindo da boca de qualquer outra pessoa – seria um monte de lixo. ele faz você gargalhar como ninguém outro/a.
você pode ser a pessoa mais forte, mais confiante do mundo, só ... não para de tremer nas bases com a sua perna trêmula. você não é mais capaz de formar uma frase boba, simples, qualquer – nem de parar de tagarelar, pois você tem tanto medo de que de repente aquilo se torne estranho, diferente.
no fim da noite, depois do primeiro encontro de vocês – você deseja que o tempo pare por ali e então, no momento perfeito – quando somente vocês dois existem no mundo – ela nunca finde. nunca acabe a noite. não mais amanheça.

(lágrimas, lágrimas, lágrimas. euforia)

você se despediu há cinco minutos, mas já quer contar para ele novas e velhas histórias. não consegue comer porque tudo que você consegue pensar é no quão feliz você se sentiu com aquela pessoa ao lado e você começa a entender que foi tudo muito fácil, doce, macio.

(...)
você troca de roupa quinhentas mil vezes antes do próximo encontro, pois você quer ter certeza que você é a mais linda do mundo e que ele não vai conseguir tirar os olhos de você -e de repente - àquela pessoa começa a fazer parte de todos os momentos do seu dia.
você não se concentra mais no trabalho, fica aérea recordando as noites perfeitas, adoece porque quer continuar na cama com ele o tempo máximo possível -!!!! -você tem tanto orgulho de ter estar pessoa na sua vida que você que apresentá-la para todo mundo desde o carteiro até seu melhor amigo e família e por essa pessoa você cancela o choppinho com sua melhor amiga ... e aí... você percebe que muito tempo passou e aquela pessoa ainda está ali e vocês se transformaram num único ser. vocês deram um laço apertado , um nó de marinheiro - e você não quer que isso - se desfaça.
... felizmente isso dura por algum tempo - ainda.

(II)
só que às vezes ... é necessário que as coisas cheguem a um fim e eu não sei porque isso acontece. se tem que acontecer ou não.
eu acho que esse comportamento humano instintivo animal faz com que estejamos em contante mudança, tomando decisões fatais em nossas vidas; individuais – assim criamos uma chance de nos libertar. desamarrar aquele nó tão firme - e para o inferno isso, se ele quem desamarrou o nó ou você ou a fitinha do Senhor do Bonfim com mil juras eternas e pedidos ao gênio do Aladim da estcadaria d o Pelourinho desfiou e escorregou do seu pulso como uma minhoca gelada e geleienta -
pouco importa, porque dói. independente de como foi, do que foi - dói do mesmo jeito. com a mesma intensidade. dói! e parece que o fim do mundo chegou.
você sofre. não consegue comer nem dormir. quer odiar o outro e pensa em tudo de ruim e negativo que você consegue lembrar - que vocês viveram - juntos, mas ainda assim você não consegue odiá-lo.

isso é amor. amor. permanece amor - mesmo quando ele te faz sofrer - amor. ele é assim.

(III)
num atravessar de rua, na fila da padaria, do ônibus, do banco ou do cinema - até mesmo, numa determinada esquina
ele surge de novo e você se sente apta a doar para esse novo alguém seu coração e esse alguém também pode quebrá-lo, mas quem se importa?
quem se importa de doar o coração para o outro quando é tão gostoso, tão bom ter aquele calor e cosquinha por dentro pelo tempo
- do até quando -
... ele insista.

2 comentários:

Sunflower disse...

De tão lindo já li três vezes e fico recitando em voz alta como se fosse profecia, mas ainda não sei o que comentar.

Beijas.

Patrícia Lage disse...

Fiquei emocionada. Mesmo.

Meu beijo.