domingo, 11 de outubro de 2009

Entre Elas: Mario Bortolotto

Me Gustán las Muchachas Putanas
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Dessas que chupam as bolas,
que entram de sola.
Das que não têm meio termo,
que abrem as pernas
e não pedem arrego.
Dessas depiladas, peladas, liberadas,
eu as quero desarmadas,
eu as quero de boca esporrada,
eu as quero do jeito que for,
eu as quero tocando bongô,
com a boca no microfone,
chamando meu nome,
no meio da chuva.
Dessas que passam gel no cabelo,
que a gente flagra no banco traseiro do carro.
Dessas que dizem os diabos,
que agarram o seu pescoço,
que sempre tem um troco.
Dessas com aros em forma de brinco,
que sabem segurar um pinto,
essas entendem o que eu sinto,
essas sabem que eu não brinco.
Elas se entopem de vodca,
assistindo MTV,
essas nunca vão chorar por você,
elas não vão mentir pra você,
elas não têm porquê.
Elas não vão contar história,
elas não vão dizer que você foi a melhor foda,
não vão querer o seu sangue, ó o seu dinheiro,
não vão querer flores nem caixa de bombons,
não te arrastam pra igreja,
elas só se enxarcam de cerveja.
E se eu digo 'pra mim chega',
elas guardam o batom e vão embora.
Elas nunca estão de calcinha quando descem as escadas,
elas estão sempre dançando, mordendo,
chegando de táxi a uma da manhã,
elas não são puras, elas são putas.
Elas não querem o céu,
elas não sabem quem é Nina Simone,
elas não querem meu número de telefone.
Paixão elas tiram de letra,
elas encaram qualquer treta,
com uma bela chave de buceta.
Eu adoro essas putas loucas,
caindo de boca,
que nunca ouviram um blues,
elas fazem chupeta
e dão o cu.
Eu as quero sujas,
num beco escuro, atrás do muro,
meu pau duro abrindo caminho,
desprezando carinho,
fissura de vinho na segunda-feira,
gozando de primeira,
comendo pastel na feira.
Eu as quero maquiadas,
peladas, desbocadas,
a mi me gusta.
Que se fodam as puras,
que gozem as putas.
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Veja o próprio Mario lendo seu poema:
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Mário Bortolotto é diretor, dramaturgo e ator, nascido em Londrina-Pr, mas vivem em São Paulo. Ganhou o Prêmio APCA pelo conjunto da obra e o Prêmio Shell de melhor autor por sua peça 'Nossa vida não vale um Chevrolet', em 2000. Além de atuar, escrever e dirigir seus espetáculos, é vocalista e compositor das bandas Saco de Ratos Blues e Tempo Instável. Quase todas as peças escritas por Mário Bortolotto já foram publicadas em quatro livros. Também publicou dois romances e o livro de poesia "Para os inocentes que ficaram em casa", de onde tiramos a poesia acima. Em 2006, lançou o livro Atire no Dramaturgo, uma coletânea de textos publicados em seu blogue
Atire no Dramaturgo, onde escreve, diariamente, desde 2004.
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8 comentários:

coronel disse...

agora virei fã de vocês.
queria saber quanto calçam e qual mora em londrina.
beijos nos pés,
coronel.

Sunflower disse...

Sem sacanagem, eu sempre preferi aqueles que gostam das putas. Sempre.

Mentira, eu queria dizer com sacanagem mesmo.

Adriana Godoy disse...

O Bortolotto é o cara!!

Marcos Satoru Kawanami disse...

talvez ele diga isso porque fazer uma santa gozar é muito mais difícil.

=D
marcos

jupyhollanda disse...

eu AMO esse texto e estava no Circo Voador quando ele fez esta leitura.

Belíssima escolha de homem do domingo, Sá!

B-Ju

F. Reoli disse...

Porra legal ver esse poema do Marião por aqui, também. Ainda não tive tempo de te mandar nada pra cá, mas assim que conseguir te mando, gata. Beijos.

Alex Sinclair disse...

toda santa é puta,
toda puta não goza.
todo pau é duro,
todo desprezo é carinho.

José Calvino disse...

Sinceramente, eu prefiro as putas honestas a certas "puras". Bortolotto, adoro o que escreves com coragem. Um bom domingo para todaos...