segunda-feira, 5 de outubro de 2009

sobre delicadeza e liberdade (I), por Juliana Hollanda


Para Agnès Varda
nos outros enxergamos paisagens
nela, o mar

as praias, espelhos, fragmentos
pedaços de filme, fotos desbotadas
compradas no mercado de pulgas

pessoas desconhecidas
que poderiam ser
qualquer família
expostas
no porta-retratos

beleza revelada na estante
iluminada por pequenos focos de luz
dicróica

o existencialismo, o tempo, a "Nouvelle Vague",
as velhas orquestras,
as ruas de Buenos Aires, os cafés com água mineral,
o céu azul, sempre
azul
mantendo um olhar sempre jovem
do alto dos nossas montanhas
de 80 anos, nossos cabelos brancos,

mas um olhar sempre jovem
diante dos obejetos, coisas, situações,
acontecimentos

diante de tudo que se espalha
à nossa frente

diante de todas as coisas
miúdas, estilhaçadas,
espalhadas pelo chão

estilhaços de um copo quebrado
partículas nítidas como o sol

os raios de luz, as tempestades,
nossos filhos
[ainda por vir]

e nossos netos
não nascidos.

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