segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Um dia qualquer, por Juliana Hollanda


 
janelas fofoqueiras falam do amor alheio. intimidades na Vieira Souto. os apartamentos, passam tardes a olhar as patricinhas em seus bikinis de marca e mergulhos com sobrenome. não escutam, mas já sabem que:  as mal amadas se lamentam, as avançadinhas combinam uma balada hype, as descoladas usam filtro solar, as branquelas ficam no guarda-sol, as atletas jogam volley e frescobol, as apaixonadas falam dos namorados como um disco arranhado.

todas usam hawaianas, short jeans, fazem escova progressiva e bebem mate diet.

seria um dia qualquer de praia, um feriado comum se - a mal amada não tivesse arrumado um namorado, a avançadinha não tivesse acima do peso, a descolada não tivesse descoberto uma micose, a branquela não estivesse pimentão, a atleta não tivesse quebrado o braço e  a apaixonada não tivesse pego o namorado com outra no barzinho da esquina.

seria um dia de praia qualquer se -  o arrastão não tivesse passado carregando as Louis Vuitton e roubado as últimas esperanças dessas meninas fúteis.

seria um dia de praia comum - se as janelas não estivessem fechadas.

seria um dia de sol comum no posto 10 em frente ao Country
se eu não tivesse encontrado você
por aí ...

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