sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Luz dos Olhos, por Janaina Lisboa

Quem olhar convictamente para luz de seus olhos há de notar circulando as suas pupilas que se dilatam e contraem inebriadas por ele, existem várias elipses amarelas.

Oh, minúsculas pétalas de um girassol, perdidas em meio à vastidão da íris cor-de-noite-sem-estrelas, como flores que mesmo em par estão solitárias e perdidas a procurar incessantemente por seu sol.

Toda noite, antes de dormir, espera que alguém bata palmas e quebre o seu encanto para que quando feche os olhos essas flores - incandescentes e oníricas - parem de crescer do lado de dentro dela.

Girassóis raros, os de fotossíntese inversa.

Solitários na luz, crescem e se multiplicam no escuro.

E queimam.

E queimam a noite dentro dela durante a visita de Morfeu.

E procuram.

E procuram por seu astro-tirano sem pestanejar, assim que as pálpebras abrem durante o dia.

Jardineiro-infiel, aquele que não quis cativar a sua visão e ainda é dono de seus sonhos.

Um dia esses olhos haverão de enxergar, e só te verão (inverno) cheios de mal-te-queres.

3 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Um estilo diferente desta vez, Sun; entre soturno e bucólico com um termo que me causou espécie: fotossíntese-inversa.

Duanny!. disse...

Tá.
Eu simplesmente adorei, lindo mesmo.

me impressionou. =)

Rogério Saraiva disse...

óh, quem é ela, que não consigo saber.. enquanto isso a noite queima.