segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Carta de Ano Novo, por Juliana Hollanda

Queridos amigos,

Estive pensando em escrever um poema de fim de ano, mas como não consegui escrevê-lo, comecei a pensar em como mandar uma mensagem de fim de ano que fosse possível realizar e na minha cabeça não surgiu nada além da palavra: sonho.

Comecei a pensar então na idéia dos sonhos e no conceito de que não há nada melhor do que sonhos para transformar em realidade. Nada melhor do que simplicidade para fazer a nossa vida um pouco mais leve de viver. Nada mais fácil do que o simples para transformar lágrima em sorriso.

Nos últimos tempos estive em processo de um novo livro que já está pronto e foi feito em edição experimental de 40 exemplares e não por ter sido escrito por mim, apenas por um conceito de simplicidade, arte, afeto e ainda ... não só isso, mas além de tudo ... é o abrir de uma porta sem chaves.

Uma porta que não necessariamente tem o formato de uma porta. Uma porta para a existência. Uma porta para o pensamento, ligada em outras tantas portas que podem ser representadas pela aventura do novo ou até mesmo, pela aventura de estar vivo e celebrar. Também conta a saga transparente de alguém que deseja sentir e usufruir do presente. Alguém que deseja degustar o presente, mesmo que isso possa de alguma forma representar arranhões, marcas roxas, certa tristeza ou saudade de algo que está longe, que já se foi ou de algo que de tão próximo e tão simples se torna difícil ou irreal - apenas para os olhos do coração. Um coração que bate, uma veia que pulsa, um sangue bombeado nas veias à exaustão. Um sangue que pode ser quente, azul, vermelho, gelado ou transparente - para que possamos enxergar o oculto, é só olhar com calma e atenção para o que parece bobagem, mas não é.

Então seguem os 365 desejos mais profundos e simples para 2010, 11, 12 ... esses desejos são eternos, ternos, internos e certamente, farão com que sejamos mais felizes no futuro, mas o mais importante disso tudo é que a plenitude seja atingida no presente.

Acordar sem despertador. Colo. Manta. Travesseiros de plumas. Sono tranqüilo. Cheiro de lençóis limpos. Lençóis de linho. Camisolas de seda. Adormecer ao som da chuva. Sonhar. Cafuné. Preguiça. Café da manhã na cama. Dormir com o balanço de um trem. Acordar com beijos. Acordar de bom humor. Massagem. Escovar os dentes. Colírio.

Família. Amigos. Encontros. Reencontros. Amar. Ajudar. Dar presentes. Cuidar e ser cuidado. Gente que deixou saudades. Gente de "boa cepa". Crianças. Cheiro de bebês. O cheiro da pessoa amada. Bumbum de neném. Pé de neném. Ler Dom Quixote. Memória seletiva. Vozes queridas. Olhares serenos. Sobrinhos e sobrinhas. Filhos que temos ou adotamos. Irmãos e irmãs de sangue ou de alma. Os pais e mães que ainda temos ou já tivemos. Netos que teremos. Ver a vida crescer.

Banho morno. Banho de cachoeira. Banho de banheira. Água de fonte.

Casa arrumada. Poltronas aconchegantes. Cadeira de balanço. Lareira. Rede. Sombra. Tatami.

Roupas novas.

Cozinhar a dois. Cozinhar para os amigos. Chocolate quente com conhaque e marshmallow. Coca-Cola gelada. Sorbet. Vinhos. Champagne. Comida caseira. Sucos de frutas. Frutos do mar. Jantar à luz de velas.

Livros. Poesia. Canetas-tinteiro. Dicionários. Escrever. Livros encadernados em couro. Edições antigas. Cartas. Papéis de carta.

Namorar. Beijar. Abraços. Pele macia. Matar as saudades. Chorar de felicidade.

Ouvir música. Ir ao cinema. Cantar. Dançar. Rir. Ver fotos. Visitar uma galeria de arte. Surpresas. Desenhar. Pintar. Criar.

Saúde. Curar. Envelhecer. Ensinar. Aprender. Descobertas. Trabalhar com o que gosta. Acreditar. Confiar. Esperança. Poder falar a verdade. Religiosidade sem religião. Sorrir. Fé.

A luz dos dias de outono. Dias de primavera. Noites de verão ao ar livre. Cheiro de mato molhado. Chuva à noite no asfalto. Cheiro de terra molhada. Céu azul. Sol. Brisa. Caminhar lentamente sem destino. Sentar ao sol no inverno. Almoços de sábados de sol ao ar livre. Pisar na grama. Andar descalço. Seixos. Riachos. Neve caindo. Árvores frondosas. Tulipas e papoulas. Pássaros cantando. Noite de lua cheia. Noite de lua nova. Céu estrelado. Adivinhar as formas das nuvens. Estrelas cadentes. Pôr-do-sol. Ver o dia nascer. Caminhar na praia. Madeiras nobres. Barulho das ondas do mar. Cheiro de mar. Vista das montanhas. Pisar em folhas secas. Água do mar.

Velejar. Mergulhar. Viajar. Velhas locomotivas. Estradas vazias. Verdes campos abertos. Animais pastando. Horizontes.

Cidade natal. Sino de igreja do interior. Jardim. Quintal. Terraço. Sacada. Varanda. Jardim de inverno. Estufa. Sótão. Chaminés. Telhados. Casa na árvore. Gangorra. Infância.

Velhas máquinas de escrever.

Ter amigos... E conhecê-los cada vez melhor.

Tempo. Muito tempo. Sempre.

FELIZ 2010!

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