segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

sobre escaladas e maremotos (V), por Juliana Hollanda


 
ferrugem nas escadarias
-observei ao me esconder da chuva-
inspiração não resiste aos pingos gelados
que sobrepõe o calor dos raios de sol
que ainda grita

raios de sol fritam os miolos
-não resisto a gritos nem a suor-

ferrugem estraga os degraus da escada
aos poucos
-reflexo do patrimônio público sem manutenção-

eu me estrago aos poucos também

do calor escaldante
da Sibéria dos ar-condicionados

-assim é a vida no Rio de Janeiro-

os pingos da chuva rebelde de verão
molham o mau-humor que desintegrou
o bom dia

o bom; o melhor do dia

-me falta paz-

escondo-me da chuva
da irritação, da TPM

é um berro que me tira a paz
assim, escondo-me de um eu que não precisa
ser visto

escondo-me do cansaço
que não me pemite dormir
nem quando exausta

desejo um eterno e sem volta
fechar de olhos
um entardecer anoitecer breve
para que esse dia acabe
e assim a chuva, o sol, o mau-humor

tenho medo de levar a vida com amargura

medo de perder a juventude
e de morrer sem nunca mais sorrir

o que me salva é o amor que tenho
e me carrega com braços fortes
e saudade

amor que me faz amante
que me faz
mulher

e me faz completa

nas tempestades

e nos desertos
sem oásis
nem miragens

Nenhum comentário: