quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Carta para um grande amor, por Clara Arôxa

Queria te pedir perdão pelos possíveis excessos. Queria te dizer que não se trata de costume, mas de uma força maior, a que nos liga. Desde pequena, aprendi, pelas minhas próprias mãos e idéias, a te defender quando tua força faltava. Enfrentava, tudo e todos, para te defender, não colava aquele argumento do ele precisa se defender sozinho. Oras, se eu me encontrava por lá, sempre ao teu lado, era mais do que obrigação te manter intacto frente aos devaneios da vida. Talvez esse teu isolamento do mundo seja por parte minha, que tanto fiz para que tu chamas de realidade fosse colorido, vibrante.

Mas a gente cresce e é inerente a esse processo se jogar no mundo. Aguardo o teu momento, com fervor, acredite. Perto ou longe estarei com os olhos marinhos de tanta felicidade. Quero te ver brilhar.Deixando transbordar essa energia-criativa, criando e reinventando bits e bytes, ondas micro, macroscópias, velozes como o teu raciocínio. Tens o dom da magnitude nas veias. E por isso, ao adentrar nesse mundo ora cruel, ora entorpecente de amor, de paixão pela Ciência – que, sem sombra de dúvidas, será tua grande companheira, queria já te pedir desculpas por qualquer superproteção desnecessária. O mundo é teu, inteiro, e não cabe a mim dividir nos pedaços seguros para que tua passagem seja doce. O fato é que me apavora te ver sofrer, me apavora te ver miúdo em um canto de sala fria, entende? Unhas, dentes e força não me faltam para te trazer à vida, acredita sempre nisso.

Qualquer despropósito, qualquer hora imprópria e se isso, de alguma forma, te sufocar, me perdoa. Estou te prometendo e, acima de tudo, me prometendo conter meus instintos protetores. Vai ser difícil, no entanto, a alegria de te ver crescer e ganhar o mundo afora que tanto espera pelo teu talento vivo vai compensar tudo.

Estou apavorada em te machucar, em interromper qualquer processo que venha/tenha que ser natural. Minha vontade é te colocar numa caixinha e te proteger de tudo de todas as cicatrizes. Mas isso seria o maior mal que poderia te causar.

Um dia vai doer, mas eu vou estar ao teu lado, sempre.

Eu só te quero bem e meu orgulho por você é demais.

Nós dois estamos ligados, além do sangue, pelo amor herdado dos nossos pais. Esse amor que foi construindo tijolo por tijolo da nossa casa interna, a que abriga as nossas almas.

Espero que um dia você me entenda.

30 de junho de 09.

5 comentários:

Patrícia Lage disse...

Linda carta!

Sabe, escrevi uma muitíssimo parecida no dia 14 de março, também no ano passado.

Meu beijo.

Keli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Keli disse...

Emocionante!
Não tenho outra palavra pra descrever esse post...
Acho que quando a gente se emociona tanto quando lê algum texto, é porque ele nos faz lembrar da nossa própria vida...
Foi o que aconteceu comigo! O amor inexplicável que sinto pelos meus irmãos foram descritos por esse texto!
Lindo!
Bjoks

jupyhollanda disse...

coisa mais linda, Clara! E achei legal q vc escreveu no dia do meu aniversário e do meu pai (q não está mais aqui) então, de alguma forma me identifiquei com suas palavras e me imaginei falando isso para ele... neste momento, uma lágrima escorre pelo meu rosto e é de emoção.

Obrigada!

B-Ju

Gabriele Fidalgo disse...

Irmãzona!

Que coisa mais gostosa de ler.
Emocionante!

um beijo