quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

De uns tempos pra cá, por Clara Arôxa

De uns tempos pra cá ando no meio fio do patético e do bizarro, o limite da loucura se aproxima de mim pedindo abrigo. Tenho feito tanta cena que nem sei. Interpreto uma pobre coitada que se agarra no primeiro sopro de amor que passa. Ela se agarra, feito preguiça, com unhas afiadas e vermelhas, no pescoço alheio e pede socorro, silenciosamente. É quase instintivo. Ultrapassa o absurdo. Ela se arrasta, se contorce e posa de fina para as câmeras. Mal sabem, os tais espectadores, que por dentro daquela mulher, há um avesso deliciosamente perigoso.

Trata-se de um costume desesperado, uma inércia conformada. Desmascaro logo minha personagem para que, ao menos despida, as minhas cicatrizes reais apareçam. Sangra, estais vendo? Sim, esta sou eu. É um tal de amor pra lá e pra cá que foge do real, uma paixão que não existe. Aliás, existe quando não há qualquer outro sentimento capaz de suprir uma falta sem nome. Tudo vira saudade e motivo de poesia. Falso, sabe? Ilusório. Fraco

Mas é bonita a cena, ela se veste de tristeza e faz um drama ao falar do mundo. Fica essa briga de descontrolada de certezas. Uma grita e a outra berra. Uma foge a outra escapa.

Para, no fim, me perder em um monte de letras.

6 comentários:

Jaya disse...

Tem dela aqui na Bahia. Vestida em mim.

Lívia Mendes disse...

Tem dela aqui também!

Anônimo disse...

Jaya me mandou te ler. Mandou o link e ficou ai de conversinha comigo. Ah, quer saber? Tu me descreveu inteira ai. Que merda! [deculpa o palavriado. até amenizei o impacto pq pra Jaya as palavras foram outras. rs.]

Clara, tu me matou. E hoje já morri uma vez. Tô vestida aqui em Minas tbm...

Beijos.

Glau

Marguerita disse...

Gaúcha vestida também!

"Mal sabem, os tais espectadores, que por dentro daquela mulher, há um avesso deliciosamente perigoso."

Adorei esta parte, tão tão tão...
MULHER de verdade.


Beijos e parabéns por se perder em um monte de letras.

Ilana disse...

De uns tempos pra ca tb sofro desse mal ilusório, que concordo servir ao menos pra inspirar.

abrs

Fernanda disse...

Eu até acreditaria nessa tal ilusão se o que tu causa por aqui não fosse tão verdadeiro...
Te leio em todos os cantos, minha flor... vc eh poesia pura! Te amo!