domingo, 10 de janeiro de 2010

Entre Elas: Felipe Stefani

LOBOS, MADRUGADA

Não te deites com a volúpia presa aos dentes,
se pretendes despertar os lobos.
Madrugada,
o uivo sonda teus ossos.
Alquimia não consiste em acalentar o orgulho.
Os lobos sabem farejar as sombras,
violetas e asteróides
não envolvem seus mundos.

Sutileza,
presa acidentada dos cálculos,
a cidade tem uma cegueira acelerada,
os lobos avançam,
teu quarto tem extremidades impossíveis.
A volúpia brota de ossos cegos,
onde a vida, com seus lábios violetas,
não penetra.

Tu, cadáver de ti mesma,
volúpia acidentada,
não penetres a alquimia com asteróides cegos.
Os lobos te envolvem, no lado mais sutil do orgulho.
Madrugada
tem acordes turvos.
Deitas-te à cama,
o edifício encravado na cidade
não supõe teus lobos extremos.
Com volúpia, não calcules a cegueira
sem supor teus uivos.

Brotam nas sombras,
brotam nas ruas,
em espaços turvos,
no sorriso das cifras.
Avançam a madrugada em que te deitas,
cadavérica.
Farejam e, ao farejar, te despertam,

tão inesperada quanto um asteróide.


Felipe Stefani é poeta, artista plástico e fotógrafo. Faz parte do grupo “Só Desenho”, ilustrou o livro “Teatro das Horas” do poeta André Setti (Edições K); “Sob o Silêncio dos Anjos”, do poeta Alexandre Bonafim; e “O Habitante das Falhas Subterrâneas” de Ana Paula Maia. Publicou o livro “O Corpo Possível”, pelo coletivo Dulcinéia Catadora, e tem poemas e desenhos publicados em vários sites e revistas literárias.

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