segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

sobre humanos e conchas, por Juliana Hollanda


a incapacidade de perceber nas entrelinhas o que são as conchas na areia fica óbvia quando olhamos os transeuntes atravessando as ruas fora da faixa de pedestres com o sinal aberto. as conchas estão lá, estáticas, famintas esperando que alguém apareça e as leve para casa.
os pedestres podem ir para casa sozinhos, mas não sabem como fazer isso, pois estão com pressa. se não estivessem com pressa, poderiam olhar para as conchas na areia com tranquilidade, assim, perceberiam as sutilezas da vida, as ranhuras das conchas, seus tamanhos, cores... e também que todos somos conchas a espera de algum carinho, algum afago, alguma atenção.

perceberiam que todos temos fraquezas, sede e que estamos sós.
somos grãos de areia e servimos de berço para as conchas famintas e sempre esperamos uma carona para casa, mas, nem sempre, temos sorte.

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