quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

por Clara Arôxa

às vezes me lembro de coisas assim, de muitas coisas, como essa da menina como se houvesse uma parte de mim que não envelheceu e que guardou - caio f.

Tem gente que vai se perdendo nos anos, nas estações, nos desencontros. Eu sou assim. Ao longo dos 20 e poucos anos, fui deixando histórias pelo caminho, meios sem enredo e final sem ponto conclusivo. O tempo passa, o trânsito aumenta e os sonhos acumulam-se para disfarçar as lembranças que não são mais vivas. O discurso já não comove. Evito, sem o mínimo pudor, personagens de histórias mal contadas, até me deparar com você.

Eu até tinha esquecido a tua importância na minha vida. Andas por um mundo paralelo ao meu, descobre outras vias, interpreta outros textos. Me encontras apenas quando o inesperado resolve enfeitar-se de infância e se perfuma com o teu cheiro. Durante esses períodos quase astronômicos, teu prato preferido é me desvendar publicamente, madrugada a fora, enquanto vou te observando e concluindo que continuas o mesmo, só o grau dos óculos muda. O teu abraço ainda é forte e a tua cabeça ainda espera o meu cafuné. E eu ainda morro de saudade.

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