terça-feira, 2 de março de 2010

Da desordem dos recomeços, por Samantha Abreu

foto de metin demiralay
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Em nenhuma das costuras que nos remendam ficaremos inteiros: eu, você, você, eu. Hão de se esgarçarem aos impactos, hão de se arrebentarem nas rochas. Em nenhum dos retoques ficaremos refeitos. Duas cicatrizes de feridas que sempre doerão e continuarão se abrindo pelo ardor de memórias.
Em todos os consertos nos sobrarão rachaduras. Seremos sempre esse desencaixe. Mãos que não se entrelaçam, suores que não colam, pés que não se enroscam. A cara metade deformada pelo tempo e pela tênue linha entre o amor e ódio, filhos da mesma chama: brasas de uma única fogueira, que fagulham juntas mas morrem por ventos de distintas direções. Um contorno mal feito, uma descombinação, um descompasso, uma desproporção.
Uma história sem pé nem cabeça.
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2 comentários:

Sunflower disse...

HÁ!

KImdaMagna disse...

...assim como o "aspecto estativo-durativo da cópula".
...também as ressonâncias do , entre o ser e existir...


xaxuaxo