segunda-feira, 15 de março de 2010

tea for two, por Juliana Hollanda

coração preenchido. não há espaço esvaziado na alma, o vazio é outro tão outro que nem dá para saber. uma porta de vai e vem.
o não saber é um puxe/empurre.

"puxempurre". "puxempurre". "puxempurreeeeeeee"...

sinto-me um palhaço na chuva com a maquiagem a derreter. fragmentos de tudo o que não amor espalhado na calçada. para onde ir se vou e volto? as lágrimas não me dão a resposta.

sou uma porta de vai e vem como nos antigos cabarés.

-push/pull-

uma porta fechada para balanço. o balanço do amor. do amor que me balança e me impede de cair.
amor que me guia. me respira. me caminha. me canta.

eu danço essa música. a música desconcertante do amor. música boa num ritmo lento. eu danço essa dança a passos lentos. dois para lá; dois para cá. não piso em nenhum pé.

o amor me passeia. me viaja. me sangra. me imagina. me sopra. ao amor me vive. me mata. me transpira. respira. abre meus poros.

o amor me voa. me compra. me vende. o amor me sente e massageia meus pés quando eles se vêem cansados.

ele, o amor, me dia para onde ir e o que quer fazer. a amor fincou um cadeado na porta do meu coração e então, sem ir nem vir, fico trancada.

o amor me segura. prende meus pensamentos e sem chave paralizada no movimento do amor uma porta "puxempurra". "puxempurra". "puxempurraaaaaaaaaaaa" a alma e assim, sorrio dentes brancos em sete tonalidades. do vermelho ao rosa chá.

Um comentário:

Luz' disse...

Eu fico encantada com o que eu leio por aqui ! amei a parte de
“sinto-me um palhaço na chuva com a maquiagem a derreter. fragmentos de tudo o que não amor espalhado na calçada. para onde ir se vou e volto? as lágrimas não me dão a resposta.” Muito lindo