sexta-feira, 16 de abril de 2010

por Janaina Lisboa

Depois de algum tempo, sua caixa torácica virara um baú.

Toc-toc.

Não era oco, estava apenas repleto de coisas não ditas e promessas quebradas. Resolveu retirá-lo do fundo do peito, é incrível o peso que coisas as coisas vazias tem. Abriu e, que engraçado, viu um saquinho de sementes de raiva e um papel onde estavam listados inúmeros motivos.

Mas, a ira, para alguém sensato, é um terreno que precisa de um longo tempo de preparação: sofreguidão, sequidão, tormentos e negligência.

Passou dias alisando aquele terreno pedregoso, pegou a enxada para plantar as sementes. De súbito, rasgou o saco e engoliu todas. Cada uma delas. Uma por uma.

E de seus lábios germinou numa flor uma palavra incrivelmente linda:

- Ódio.

Como um dente-de-leão, a palavra foi embora no ar. Perfeita. Primeiro o acento agudo, depois oo em letra maiúscula, depois o d, um i, um outro o e o ponto final.

Agora, não havia sobrado nada e ela estava preparada para plantar no terreno flores maiores e bem mais bonitas.

2 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos Satoru Kawanami disse...

vai um saco de semente aí?