segunda-feira, 5 de abril de 2010

em transe, por Juliana Hollanda

sussurros gritam teu nome enquanto o sol nasce e é irrigado com a luz da escuridão do engano. engano...

sim, eu me enganei. achei que poderíamos crescer juntos e poderíamos nos energizar e construir uma casa vazia.

... quando achei que estivesse vazia de sentimentos por você.
... quando achei que era apenas curtição.
... que eu não nutrisse por você nada além de tesão vontades e quereres de menina mimada.

me enganei quando achei que ter ficado com você plenamente fosse o suficiente para mim.

sempre quero mais do que posso e posso menos que faço e faço pouco para não assustar e afastar das minhas mãos todas as minhas paráfrases, pleonasmos e metáforas.
fico com meus silogismos, metonímias e aliterações que não te bastam.
fico com as paredes do não dito e o abatjour da meia luz.

você carrega contigo minha cama, minhas roupas e o cheiro do neon vermelho.
você leva minhas letras, os meus livros e a minha voz.

eu transpareço meu transtorno me agarrando aos retratos da imensidão dos quadros surrealistas que iluminam minha sobrancelha.

fico aqui com o resto de luz que ainda reina nas paredes do quarto que você deixou sozinho quando partiu.

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