sábado, 24 de abril de 2010

Eu celero, por Patrícia Lage

Meu amor, meu verbo, meu André.

Você faria aniversário hoje. Eu faria o bolo recheado e coberto do teu doce preferido. Aquele doce que juntava nossas tardes e deixava nossos passos ritmados e frequentes, todos num. Ajudaria a apagar as vinte e poucas velas dos teus anos de vida, que são acesos em mim, guardados vivos comigo. Pintaria teu nariz com o açúcar para devolver-me os teus beijos a marcar o meu rosto com a tua ternura. A tua vida continuada no que me inspira, nossas alegrias, e que eu peguei para mim nesse viver que é também. Você faria para mim o melhor desenho de abraço, a melhor arte, é certo. Eu grudaria teu pescoço num laço com os braços do meu corpo completo e sorriríamos... O teu sorriso de som da melhor melodia que eu pude ganhar e aprender e cantar em meus silêncios de flauta que só você reconheceu. O sorriso que levou de mim tua nova companheira eterna - esta vida que é além deste chão - mas que insisto em dar-te hoje, presa aqui, porque é ainda teu aniversário e eu sei que te alcanço nessa tua morada protetora. Eu sei, você celebra comigo o nascer que foi teu de antes, o meu nascer de plenitude depois. Nascidos fomos, não é? Para estarmos de frente, assim, como te tenho nas lembranças dos sentidos. Ocuparia eu a tua mão de cá, os meus olhos fitariam repetidamente os caminhos juntos aos teus, meu horizonte azul sem fim. E a gente seguiria a outras comemorações. Mas... Tão rápido teus gestos enfeitaram o ar, tão exato foi o tempo, tão para sempre levou de mim meu melhor amor de carne que me restou apenas celebrar os sentimentos imortais e as lágrimas que já não são de perda. O amor dado, multiplicado, lotado. Porque você faz aniversário hoje, meu amor, dentro de mim.

3 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

faz o bolo mesmo assim.

sempre aparece alguém pra comer o bolo.

Heidn Carvalho disse...

Linda!

silvioafonso disse...

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CarValho!
Que delícia de texto...
Acho que vou parar de
escrever, já que me der-
reter dentro e fora de
mim, como tu fazes, eu
não aprendi.

Estou te seguindo.

Palhaço Poeta

(Coloquei um V, no Car-
valho em respeito as
crianças).




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