sábado, 3 de abril de 2010

Lutas, por Patrícia Lage

Eu nasci sob desafios. Inaugurei todos os meus dias travando lutas árduas, pesadas e sem proteções escudeiras. Dou a cara à tapa, dou o coração às pauladas, meus tombos são homéricos e deixam cicatrizes horrendas. - Veja esta aqui? Discreta e profunda. - E ainda assim, mal aprendo nessas circunstâncias. Mesmo reconhecendo a paisagem, vou-me numa mesma cadência, passo inédito. O que vou guardando são as amargas, vez por outra doces, sensações. E por elas vejo-me sem absolutamente nada, sem grãos, sem tostões, sem correspondências. Mas envolvida em pleno respeito.
Diante disto, acredite, só aprendi a lutar por causas. E não entro no julgamento se justas ou não. São as que inferem minhas ânsias, as que chegam e acariciam os desejos momentâneos do meu espírito pecaminoso. Então, basta-me. Deixo pessoas fora das prateleiras. Em minhas lutas solitárias, somente o que me é de posse.


Sou eu povoada de fundamentos, sou eu povoada de risos, sou eu crescida de tantos sentimentos. E, definitivamente, minhas armas não são unhas e dentes.

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