segunda-feira, 3 de maio de 2010

das escrituras escondidas no monte mais alto (IV)

abriu a porta com a chave errada
-à ponta pés-
chegou em casa morta, torta,
bêbeda de dar dó.

passou a noite de bar em bar
procurando algum sentido em viver
enquanto carne,
indivíduo;
mulher.

encontrou olhares tortos,
desassossego,
pessoas boas e nem tanto assim.

encontrou homens impotentes,
mas com tesão.
oportunistas com tatuagem de líderes de guerrilha na barriga;
aproveitadores.

mulheres mal amadas,
homens infiéis,
olhos vermelhos de viagem e de medo.

patricinhas do funk,
cachorras da valsa
e estagiárias bem vestidas
de direito.

conseguiu quebrar a unha, tropeçar na rua,
voltar a fumar;
navegar

-navegar no asfalto-

à deriva, consegui pensar
pensar na vida
e sem nenhuma conclusão formada
abriu a porta torta
bêbeda e faminta de dar dó
e ensaiou
morrer.

2 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

acho que cêis deve criar um ID do blogue, tipo: Srta. Falópio.

aí cêis comenta nos blogue alheio, e faz propaganda do vosso blogue.

funciona.

Talles azigon disse...

gente de cara velo Clarice depois leio esse poema ao bom estilo de Cristina César.

amei

muito bom mesmo.